Amor e Paixão... muito já foi dito sobre ambos, e ainda há tanto para se dizer. Mesmo no coração mais taciturno, comportam-se como as estações do ano: cíclicas, findam e se renovam. Dois aspectos que estão sempre em voga; que se apresentam de modo barulhento, tácito, imprevisível, nos arrebatando a racionalidade. Quem ainda não sofreu por dores passionais, reside no prefácio da vida. O que nos torna únicos são as nossas experiências sensoriais, o enlace com a literatura, poesia e arte. E no âmbito do amor e paixão, às vezes, tudo que carecemos é de uma deixa, da troca de olhares que parece se perpetuar em segundos, quiçá, garantindo o prelúdio de um beijo, de um afago em madeixas...
Jardim de óbice, que abarca ferais seixas, Deveras improtelável é o fogo desta paixão, Se para este anseio não encontro a solução, De que adiantam minhas frívolas queixas?
Eis o diagnóstico: taciturno e sem direção, Quem dera se eu recebesse algumas deixas, E tocasse seus lábios, afagando suas madeixas, Poria fim neste enredo acre que me tira o chão.
Para esta vida ínfima já não possuo valor, Derruído, exaurido, por um drástico ardor, Ao que tudo indica não me libertarei jamais.
Seu corpo me traz uma tempestade violenta, E nesse olhar, cada segundo me atormenta, Vou sucumbindo nestes ímpetos carnais.
Thiago S. Sevla


